Chineses produzem painéis solares em Moura 10/01/2015

Chineses produzem painéis solares em Moura 10/01/2015

O objetivo da Jinko Solar é abastecer o mercado europeu a partir do Alentejo.

Há mais uma empresa chinesa a operar em Portugal. A Jinko Solar está a produzir painéis solares em Moura, no Baixo Alentejo, numa fábrica que emprega já 115 pessoas, com perspetivas de aumentar nos próximos meses para perto 150 empregados.
O objetivo da empresa chinesa é fazer de Moura uma base produtiva para abastecer os seus clientes europeus, num mercado que volta a conhecer um novo impulso, nomeadamente devido à quebra significativa do preço dos painéis solares, superior a 50% nos últimos dois, três anos.
O investimento de raiz não é dos chineses. A fábrica já existia desde 2008 e foi construída pela espanhola Acciona Energia, também responsável pelo investimento de €240 milhões no parque fotovoltaico da Amareleja, um dos maiores do mundo, concluído naquele ano.
Entre o início de 2008 e outubro de 2012, a fábrica de painéis solares esteve concessionada à Moura Fluitecnik Solar, que ali laborou (primeiro com dois e depois três turnos de trabalhadores), sempre orientada para exportação das cerca de 200 unidades diárias ali produzidas.
De outubro de 2012 a abril deste ano a fábrica esteve parada. No entanto, os mais de 100 trabalhadores que  integravam os quadros da fábrica criada pela Acciona nunca deixaram de receber os seus ordenados, até porque esse tinha sido um compromisso assumido pela empresa espanhola.
Sonho de Moura não se cumpriu.
"A Acciona tinha ficado obrigada a manter a fábrica e os empregos pelo menos até 2018", recorda Santiago Macias, presidente da Câmara Municipal de Moura. "A fábrica esteve parada durante mais de um ano e meio, mas felizmente os trabalhadores não foram penalizados", acrescenta o autarca. Nota, com entusiasmo, que a vinda da Jinko Solar foi a tábua de salvação para este projeto que é já um dos principais empregadores da região. 
Longe vão os palpites otimistas do seu antecessor na autarquia de Moura , José Pós-de-Mina, que em 2008 se mostrava tão confiante no efeito indutor do investimento da Acciona que garantia já ter mais dez manifestações de interesse de outros tantos investidores ligados direta ou indiretamente ao sector das energias renováveis. O objetivo era criar em Moura um polo tecnológico ligado às tecnologias limpas.
Portugal vivia o auge da onda de entusiasmo pelas renováveis, induzido pelos governos de José Sócrates. A Moura chegavam visitantes ilustres quase semanalmente, vindos dos mais variados cantos do planeta. A euforia em torno da energia solar era mais do que evidente. Por ali desfilaram cientistas, académicos, políticos, comitivas de técnicos, promotores de projetos de energia, associações do sector de todas as latitudes e, claro está, televisões, jornais e revistas de todo o mundo, desde a Europa à Ásia, Américas e até África. Moura recebeu, inclusivamente, o secretário para a Energia norte-americano da administração Bush, vários ministros portugueses, entre outros políticos.
Uma euforia que passou à história. Moura luta agora contra uma taxa de desemprego da ordem dos 20% e contra aquilo que o presidente da Câmara considera a ausência de uma política de discriminação positiva para o interior, num país cada vez mais 'litoralizado'. 
"Não queremos rotundas, nem pavilhões desportivos, nem campos de futebol. Ficaríamos satisfeitos com uma jogada em que o Governo conseguisse mobilizar investimento para o interior do país. Pela nossa parte baixaremos tanto quanto pudermos as taxas municipais para atrair empresas que criem emprego", remata Santiago Macias.
 
Fonte: expresso.sapo.pt 10/01/15

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