Pela primeira vez a eletricidade solar fotovoltaica foi responsável por 1% do consumo nacional

22-07-2014 10:34

 

Pela primeira vez a eletricidade solar fotovoltaica foi responsável por 1% do consumo nacional, relembra o responsável.

 

Temos que nos preparar com antecedência.

Hoje chamo a atenção para um facto verificado no final do 1ºsemestre de 2014. Trata-se de que pela primeira vez na história da nossa eletricidade a eletricidade solar fotovoltaica foi responsável por 1% do consumo nacional, neste primeiro semestre de 2014. Parece pouco mas é um facto a assinalar, tanto mais que os meses de mais Sol ainda estão para vir.
 
Esperemos que seja o prenúncio que finalmente o Sol começa a aparecer neste setor. Oxalá que os nossos Governos, atual e futuros, nunca se esqueçam do ditado “o Sol quando nasce é para todos”. Acrescento eu se ele está lá, e há tanto em Portugal, temos de o por a “trabalhar” para nós, aquecendo água ou gerando eletricidade, em vez de ser usado só para bronzear. Fomentando estas utilizações é conseguir algumas poupanças na importação de combustíveis, usando uma matéria-prima nossa, barata, limpa e que ninguém nos pode tirar.
 
Talvez o leitor não se tenha apercebido mas também neste mês de Junho o preço do petróleo voltou a subir. Há muitos meses que tem estado entre 105 e 110 USD por barril, o Brent, mas agora voltou a subir. A pergunta é se vai ficar por aqui? Provavelmente não, vai continuar a subir e isto porque a Economia Mundial começou a animar, embora timidamente, mas o bem que é primeiro procurado é a energia, em especial na sua forma de combustíveis fósseis, em especial petróleo e gás natural.
 
Certezas sobre o valor futuro não as tenho, mas posso elaborar um pouco sobre as tendências, não a curto prazo mas a longo prazo, e para tal vou usar um estudo de 2013 da Agência Internacional de Energia.
 
Segundo este estudo em 2035 a China e a Índia serão responsáveis por 37% do consumo de energia primária, o continente americano por 18% e só depois é que aparece a Europa com 11%, seguindo-se a Rússia com 9% e os restantes continentes com valores oscilando entre os 7 e 9%.
Não nos podemos esquecer que a capitação energética da China é cerca de ¼ da europeia, e a da Índia 1/3 da chinesa. Com isto quero dizer que a procura de energia vai ser feroz nos próximos 20 anos, portanto o seu preço vai subir. Com isto as economias mais débeis serão afetadas, pois a energia barata foi coisa que já desapareceu, e assim deverá continuar desaparecida.
 
Perguntará o leitor: o que é que isto tem a ver connosco?
 
Tem a ver porque, além de sermos uma economia débil se precisarmos de menos energia podemos atenuar este impacto previsível, se formos eficientes e racionais no seu uso, mas também se tivermos que “comprar” menos energia. E esta última atuação só é possível se usarmos as fontes renováveis que dispomos para, por exemplo, produzir eletricidade.
 
A eletricidade de origem eólica gerada em Portugal nos novos parque já é competitiva com os preços do barril de petróleo acima dos 100 USD, no futuro ainda será mais competitiva. A eletricidade de origem solar fotovoltaica está cada vez mais competitiva e antes do final da corrente década é possível que o seu custo por MWh seja igual ou inferior ao de origem eólica.
 
Temos que nos preparar para o que aí se avizinha, e nestas coisas da energia a preparação tem de se fazer com muita antecedência. Preparemo-nos pois.
 
22.07.2014
Por: António Sá da Costa, Presidente da APREN
 
António Sá da Costa é presidente da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e Vice-Presidente da EREF – European Renewable Energy Federation e da ESHA – European Small Hydro Association.

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