O Estado decidiu rescindir o contrato de investimento

07-08-2012 22:38

O projecto de uma megafábrica de painéis solares que se iria instalar em Abrantes, liderado pelo empresário Alexandre Alves, e que previa um investimento total de 1050 milhões de euros, recebeu ontem a machadada final.

paineis solares

Empresário previa investir 1500 milhões de euros e 1800 empregos

 (Foto: Francisco Leong/ AFP Photo)

 

O Estado decidiu rescindir o contrato de investimento que tinha sido assinado em Junho de 2010 com a RPP Solar - Energias Solares, indica um despacho dos gabinetes dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Economia, publicado ontem em Diário da República.

Desde que foi constituída, em Julho de 2009, a RPP Solar era liderada por Alexandre Alves, empresário que ficou há muitos anos conhecido por "Barão Vermelho" devido às ligações que tinha ao Partido Comunista e ao Benfica. A nova fábrica prevista para o concelho de Abrantes, aprovada como projecto de interesse nacional (PIN) ainda nesse mesmo ano, era na verdade um complexo de várias unidades e foi baptizado de projecto integrado de energia solar (PIES).

No papel, estava prevista a criação de 1800 postos de trabalho directos, dos quais 300 empregos qualificados, atribuídos a engenheiros e a quadros superiores. Previa-se também que a nova fábrica começasse a produzir painéis solares logo em 2010, mas o projecto queria ir mais longe. Estavam prometidas sete unidades industriais no concelho de Abrantes, também para fabrico de torres eólicas e de turbinas de co-geração e um centro de investigação e desenvolvimento.

No entanto, na realidade pouco se avançou até hoje. Uma parte da nova unidade fabril começou a ser construída, mas os trabalhos pararam e ficaram por concluir já há muitos meses. Ao longo do tempo, o empresário terá sempre garantido aos responsáveis da autarquia de Abrantes, liderada actualmente por Maria do Céu Albuquerque (PS), que tinha o investimento assegurado.

Isto depois de ter adquirido em 2009, por apenas 100.000 euros, os terrenos de 82 hectares destinados ao complexo fabril pelos quais a câmara municipal tinha pago no total um milhão de euros, indicava o Correio da Manhã alguns meses depois. Em 2009, à frente da câmara estava o socialista Nélson Carvalho, que em Julho de 2010 foi contratado como director de formação e projectos especiais da própria RPP Solar.

Sem apoios do Estado

Já da parte do Estado, Alexandre Alves não chegou a receber qualquer apoio, garantiu ontem ao PÚBLICO um porta-voz da AICEP Portugal Global (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). "Não se chegou à fase de execução do que estava previsto e por isso em momento algum receberam dinheiro do Estado", indicou esta fonte.

O contrato assinado em 2010 previa que a RPP Solar recebesse do Estado 128 milhões de euros, no âmbito do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional), dos quais 58 milhões seriam incentivos de origem financeira, para compra de material de produção. O restante seria concedido em benefícios fiscais.

O PÚBLICO tentou ontem contactar Alexandre Alves, mas sem sucesso. Apesar de já ter sido dado como estando à beira da falência mais do que uma vez e enfrentar vários processos por dívidas, tudo indica que o empresário continua em actividade. Alexandre Alves está ligado a uma empresa de construção, gestão e venda de retail parks, a RPP Portugal, fundada em 1993 e responsável pela construção e venda de retail parks em Aveiro, Leiria (actualmente em dificuldades financeiras), Matosinhos, Santarém, Portimão e Salamanca. Ligada a esta empresa está também a Capitalinvest, presidida pelo mesmo responsável e que há poucos anos esteve também em tribunal por problemas financeiros.

Curiosamente, o logótipo que está associado à RPP é semelhante ao "lince" que ilustrava a antiga FNAC-Fábrica Nacional de Ar Condicionado, uma cooperativa fundada e liderada por Alexandre Alves, apontado como um dos empresários "saídos" do 25 de Abril. No início da década de 90, a FNAC já era um grupo com mais de 40 empresas. Mas acabou por falir pouco depois, no meio de um processo polémico.

jornal publico

07 de Agosto de 2012

 

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