Quem dá mais subsídios à energia: Portugal ou a Alemanha?

27-10-2014 21:33

A resposta está num relatório agora publicado pela Comissão Europeia. E que mostra os apoios atribuídos pelos países mais ricos a diversas fontes de energia. 

A Alemanha é o país da União Europeia que mais dinheiro gasta em subsídios à energia da União Europeia. Em termos absolutos, o país liderado por Angela Merkel gasta mais de trinta vezes o valor dos subsídios em Portugal. Em termos relativos, a comparação leva à mesma conclusão: mesmo proporcionalmente, a Alemanha subsidia mais do que Portugal. Os subsídios à energia foram, recorde-se, um tema em cima da mesa no programa de ajustamento negociado com a troika.

Os dados estão no relatório "Subsídios e custos da energia na União Europeia", elaborado pela Ecofys para a Comissão Europeia, que foi publicado agora em outubro. 

Comparando os valores absolutos atribuídos em apoios à energia, de 2008 a 2012, nota-se que o valor dos apoios atribuídos pela Alemanha foi mais de 32 vezes superior ao montante que Portugal concedeu para o mesmo fim. 

Mas tendo em conta a dimensão de cada país, o respetivo consumo energético e o número de habitantes, para poder comparar subsídios à energia consumida por países grandes, médios e pequenos, é utilizada a subsidiação a cada unidade de energia gerada, isto é, por GigaJoules (GJ) - embora este seja um conceito técnico. Mesmo assim, os apoios concedidos pela Alemanha são dos mais elevados entre os 28 países da União Europeia (EU), sendo da ordem de 2,4 euros por GJ, enquanto o apoio de Portugal rondou cerca de 1 euro por GJ, ou seja, menos de metade dos apoios pagos pelos alemães. Neste parâmetro, Espanha é o país da EU com apoios mais elevados à energia, ascendendo a 2,5 euros por GJ.

Isto quer dizer que a União Europeia pratica um nível elevado de apoios à energia, sendo os países com maior capacidade financeira precisamente os que concedem um nível mais alto de subsídios. Excluindo os créditos com os gases de efeito de estufa (designados GHG - "Greenhouse gas"), de 2008 a 2012 os 28 Estados membros da União Europeia atribuíram apoios à energia no montante global de 122,03 mil milhões de euros.

Deste valor total, coube à Alemanha 25,47 mil milhões de euros, ao Reino Unido 13,28 mil milhões de euros, seguindo-se Espanha com 10,43 mil milhões de euros, Itália com 10,36 mil milhões de euros e França com 7,25 mil milhões de euros. Bastante mais abaixo neste ranking - no décimo terceiro lugar - surge Portugal com um apoio de 790 milhões euros, precisamente 32 vezes menos que a Alemanha. Em Portugal os principais apoios foram concedidos à biomassa, às eólicas e às hídricas, enquanto na Alemanha os maiores apoios foram atribuídos ao consumo, com 8 mil milhões e à energia solar, com cerca de 5 mil milhões de euros.

Deste bolo global de apoios superior a 122 mil milhões de euros repartido pelos 28 membros da UE, as energias renováveis levaram a fatia de leão, com 41 mil milhões de euros. Neste segmento da produção, a energia solar obteve 14,7 mil milhões de euros. As eólicas on-shore levaram 10,0 mil milhões, as unidades de biomassa obtiveram apoios de 8,3 mil milhões e as centrais hídricas ficaram com cerca de 5,2 mil milhões.

No segmento das fontes de energia convencionais, as unidades a carvão obtiveram apoios públicos de 10,1 mil milhões de euros, a energia nuclear obteve cerca de 7 mil milhões de euros e as centrais a gás natural ficaram com 5,2 mil milhões de euros.

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